
Como forma de incentivar a autonomia e resgatar o conhecimento acumulado de quem tem décadas de vida, o Centro de Convivência do Idoso (CCI) de Pinhais oferece aulas de letramento digital, conhecimentos gerais e matemáticos. A iniciativa, que começou no segundo semestre de 2025 com 12 pessoas, cresceu e hoje conta com duas turmas que se reúnem às quartas e sextas-feiras.
A equipe responsável pelo projeto é composta pelas pedagogas Keila Maria dos Santos Chagas e Andressa Cristine Canello, além da educadora social Natascha Souza dos Passos. Segundo as idealizadoras, o foco é promover o protagonismo do idoso, auxiliando em situações que familiares não conseguem ajudar.
Um dos pilares da oficina é a inclusão tecnológica, área conduzida por Natascha. Ela explica que o objetivo é dar segurança aos alunos no manuseio de dispositivos móveis. "Não só os idosos, mas os adultos, de forma geral, têm um pouco de medo de fazer alguma coisa errada com o celular, de levar golpe. Nessa oficina a gente trabalha um pouquinho para tirar esse medo que os idosos têm de tecnologia. Trabalhando desde os ícones até os principais aplicativos. Eles mesmos trazem a demanda do que precisam", diz ela.
Resgate Escolar
Além da tecnologia, o curso reforça conteúdos básicos e amplia a percepção sobre o município de Pinhais. Andressa destaca que o projeto nasceu da vontade de oferecer algo além do que já existia no CCI. "A gente pensou em fazer uma oficina com um pouco de português e matemática, para relembrar ou ajudar quem não teve a oportunidade de estudar. Fazemos interpretação de texto, resolução de problemas e trabalhamos a grafia", explica Andressa.
Já Keila Chagas foca nos conhecimentos gerais e nas aulas de campo, como as visitas ao Bosque Municipal, onde trabalham conceitos de ecossistema e a geografia local. "A gente também colhe o conhecimento do grupo. Eles trazem sabedoria, mas sabem que a vida é uma constante aprendizagem. Havia assuntos que eles não sabiam, por exemplo, que aqui tinha quatro rios, as cidades limítrofes de Pinhais. Isso vai ampliando o repertório deles", observa.
Os benefícios da oficina vão além do aprendizado acadêmico, impactando diretamente a saúde mental e a socialização dos participantes. Tiago Rodrigues sai cedo do Jardim Amélia, onde mora, pega o ônibus até o CCI, onde geralmente passa o dia, realizando várias atividades. “Uns parentes dizem, ‘nossa, mas indo na escola com essa idade’. Mas vou aprendendo. Pense que cheguei aqui em Pinhais faz uns 11 meses, com uma depressão, ansiedade e pressão alta. Comecei a vir ao CCI, regulei a saúde. Todo dia venho aqui, faço ginástica, coral, aula dos Saberes”, compartilhou. Ele morava em Sergipe, e está em Pinhais com uma das filhas. Estendeu a temporada na cidade para aproveitar as atividades da prefeitura.
A satisfação dos alunos do Saberes da Maturidade é visível. Durante a aula, fazem as atividades com dedicação. O material escolar também é caprichado. Edite Freire Alves encapou o caderno com uma foto ao lado dos netos Pedro e Benjamin: “Estudo não tem idade”. A equipe do Departamento de Comunicação da Prefeitura acompanhou uma aula em um dia chuvoso, em que muitos alunos não puderam comparecer. “Eu não falto de jeito nenhum, nada me segura em casa”, conta Zenira Góes do Nascimento. A turma do Saberes da Maturidade motivou outros aprendizados e ela está até fazendo aulas de inglês por conta própria, em casa.